domingo, 31 de maio de 2009

O 25 de Abril de 1974

O 25 de Abril de 1974
A minha mãe, Maria Ivone Sanches Martins Robalo, de 12 anos, na altura em que se deu o 25 de Abril de 1974, relatou-me um pouco de como foi esse dia.
“Os meus pais não me deixaram sair da rua onde morava, andava tudo com medo e, como só tinha 12 anos, fiquei impossibilitada de sair de ao pé de casa. Vi muitas pessoas a correr e a falarem no assunto. Avistei muitos soldados. No fim, pelo que me recordo, ouviram-se tiros e então chamaram-me para dentro de casa. Quando fui para a janela, vi muitos canhões e carros da tropa, atrás deles vinham os soldados de espingardas na mão e com os cravos na ponta. Pelo que ouvi, a partir desse dia passou a ter-se uma liberdade diferente da anterior. Não me recordo muito deste dia, devido a ter apenas a idade que tinha quando se sucedeu.”



























A minha mãe, na altura do 25 de Abril de 1974


Cristiana Robalo

A vida antes do 25 de Abril

A minha avó materna, com o nome de Maria Madalena Mendes Sanches, relatou-me um pouco da sua vida antes do 25 de Abril de 1974.
Começou por me dizer que, antes dessa data, a vida era muito difícil. Não havia liberdade nenhuma, ou melhor, que as mulheres daquela época tinham muito menos liberdade que os homens. Explicou-me que, na questão da política, só os ricos é que podiam votar.
Também me disse que, em relação à alimentação, não era como agora. “Comia o que havia, o que não havia não comia.”, disse-me ela. Nos tempos livres, “Ia lavar a roupa para a Granja, com os filhos todos atrás.” ou então ficava em casa, a fazer as lidas domésticas. Relatou-me que, naquela época, não havia muitos transportes e que, para onde se quisesse ir, teria de se ir a pé.
Acabou por me dizer que a vida depois daquele ano ficou muito melhor e que não tem comparação com o que é agora.

























A minha avó depois do 25 de Abril.

Cristiana Robalo